Tangências – Alumbramento em Libras

Ko’ẽ porã, che resa’yju. Bem vindes ao matriarcado de Pindorama, oswaldianamente onírico, telúrico, liberto e libertino. Nessa terra de muitos sóis e fotossínteses excitadas, devoramos com voracidade as distopias, as iras, as dissonâncias históricas, a descrença e as terras planas. A golpes de luz, desejos insurgentes, risadas escancaradas, gorjeios em sustenido e plátanos dulcíssimos, resgataremos nossa natureza ameríndia, mameluca, cafuza e, antes que Macunaíma perca seu muiraquitã, toda tristeza será antropofagicamente convertida em êxtase multicor. Visões em flagrante delírio, comunhão sensual com o mistério que gesta a diversidade de vidas que emergem nas tramas Elisas e nos pixels Willys dessa floresta que trazemos no tórax. Do cóccix até o pescoço a alegria será a prova dos nove. Evoé, parangolé!
Tupis, Tupiniquins e Tupinambás viram Caminha descer da nau para deflagrar o encontro das três raças tristes. Oh pá! Aqui não! Olha esse mar, esse céu, essa selva e põe agogô nesse fado. Adoramos heróis sem caráter. Ai que preguiça!! Larga d’eu que vou decretar carnaval o ano todo. Nossas maneiras e minérios impedirão a queda do céu. Feche os olhos para enxergar a floresta que habita em você. Apure os ouvidos para escutar o canto do Uiapuru convocando os ancestrais que se tornaram fótons e elétrons a vagar entre palmeiras e sumaúmas. Venha, entre, fique, seja, esteja nesse banquete de frutas, fontes e firulas tropicais. Ao sair, continue aqui. A alegria é o antídoto, a cura, a mais potente das insurreições. Entre alumbramentos e tangências, entenda: em 22 daquele mês de abril, fundaram a Escola de Samba Unidos do Pau-Brasil.
Eder Chiodetto