Quebra-cabeças

Outro dia em uma das minhas rondas pelas livrarias de São Paulo dei de cara com essa tabela de cores intitulada Puzzle Parisiense e dividida em duas partes, Inverno e Verão.

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Fiquei absolutamente encantado e o que me fez tomar a decisão de comprar o livro do qual a tabela faz parte, Como ser uma Parisiense em qualquer lugar do mundo (Sophie Mas, Audrey Diwan, Caroline de Maigret e Anne Berest, editora Fontanar).
Olhei esse livro por diversas vezes e confesso que o titulo não é nada atrativo, faz correr mesmo para longe dele, e olha que sou bem eclético, sem preconceitos dentro da literatura e assuntos da vida, mas como sempre tive uma queda pela moda desde criança, amo os livros de moda e os consumo com tanta voracidade quanto os de arte em geral.
Li metade do livro em uma sentada na própria livraria e como não se empolgar com um livro que começa com uma citação do cineasta francês Jean-Luc Godard: Uma história deve ter inicio, meio e fim, mas não necessariamente nessa ordem. Fala da feminista Simone Veil, sobrevivente dos campos de concentração de Auschwitz, ministra da saúde na França que lutou pela descriminalização do aborto, continua com outra Simone, a de Beauvoir, que embora também sendo identificada como um dos pilares do feminismo teve problemas durante algum tempo com as próprias feministas por seu relacionamento da vida inteira com o filosofo Jean Paul Sarte.

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Caroline de Maigret, Anne Berest, Sophie Mas e Audrey Diwan

Sim o livro às vezes assume aquele tom de auto-ajuda que também espanta qualquer pessoa com o mínimo de inteligência, afinal se fosse fácil comprar felicidade, teríamos todos os nossos problemas resolvidos, mas mesmo com esse ar, ele consegue escapar dos lugares comuns desse gênero.
Mas voltando a tabela de cores que foi o que me motivou a comprá-lo inicialmente, achei ótimo passar o resto do meu dia com outros dois amigos nos divertindo com os títulos escolhidos para as cores em questão, um cinza claro associado a um livro de Françoise Segan, o preto a uma exposição fotográfica, um verde esmaecido a um dia de muita chuva, fiquei pensando por que o Louvre era representado por um marrom bem escuro e assim por diante.
É evidente que isso nos levou a fazer o nosso próprio jogo, pensar em cores e associá-las a títulos engraçados também como: a cor amarela representando o MASP em dia de chuva… Por que mesmo sendo piegas era como encontrar um dia ensolarado vendo todas aquelas obras de arte.
Enfim o livro continua passeando por Sartre, Deleuze e meu amado Proust. No final das contas penso: Quem diria que dentro de um titulo tão pouco sedutor haveria um livro tão saboroso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ale Lopes
(Curador e Crítico de Artes)